Líder religioso e treinador de futebol é condenado a mais de 103 anos de prisão por crimes sexuais contra adolescentes no Piauí

Sentença da Justiça do Piauí reconhece crimes praticados ao longo de quase uma década contra 11 vítimas; pena deverá ser cumprida inicialmente em regime fechado.

Foto: Reprodução/Redes Sociais 

O Tribunal de Justiça do Piauí (TJ-PI) condenou o líder religioso e treinador de futebol Natanael Ribeiro de Moraes a 103 anos e cinco meses de prisão, em regime inicial fechado, pelos crimes de violação sexual mediante fraude, importunação sexual e delitos previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A sentença foi assinada pelo juiz Willmann Izac Ramos Santos e também determinou o pagamento de 739 dias-multa. Da decisão, ainda cabe recurso.

De acordo com a sentença, os crimes ocorreram de forma reiterada entre os anos de 2014 e 2023, tendo como vítimas 11 pessoas, a maioria adolescentes no início dos fatos. Conforme os autos do processo, o condenado utilizava sua posição de liderança no meio esportivo e religioso para conquistar a confiança das vítimas.

Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público, as vítimas eram submetidas a manipulação psicológica e falsas promessas relacionadas ao esporte e à religião, circunstâncias que, conforme o entendimento da Justiça, favoreceram a prática dos crimes.

A condenação representa um desdobramento da Operação Jogo Profano, deflagrada pela Polícia Civil em maio deste ano, no município de Parnaíba, litoral do Piauí. Na ocasião, Natanael Ribeiro de Moraes foi preso durante a operação, que investigava denúncias de crimes sexuais supostamente cometidos contra jovens que estavam sob sua orientação esportiva e religiosa.

Na decisão, o magistrado destacou os elementos reunidos ao longo da instrução processual, concluindo pela responsabilidade criminal do réu nos crimes denunciados. Além da pena privativa de liberdade, foi estabelecido o pagamento de multa conforme previsto na legislação.

O caso teve grande repercussão no estado pela gravidade das acusações e pelo perfil das vítimas, além da posição de influência exercida pelo condenado. As investigações conduzidas pela Polícia Civil e a atuação do Ministério Público resultaram na denúncia que culminou na condenação em primeira instância.

Apesar da sentença, a defesa ainda poderá recorrer da decisão às instâncias superiores. Enquanto isso, permanece determinada a execução da pena em regime inicial fechado, conforme estabelecido pela Justiça.

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