Atividade, que pode render milhares de reais por mês, é mantida em sigilo por profissionais preocupados com possíveis impactos na carreira

Reprodução/Gerada por IA/Cidades em Evidência
A busca por uma renda extra tem levado trabalhadores com empregos formais a explorar uma atividade pouco convencional: a produção de conteúdo adulto para plataformas digitais. Entre os criadores estão profissionais contratados pelo regime CLT e até servidores públicos concursados, que conciliam a atividade com suas profissões tradicionais.
A realidade, porém, está longe da imagem de luxo e ganhos milionários frequentemente associada ao mercado de conteúdo adulto nas redes sociais. Para esses trabalhadores, a produção de fotos e vídeos é, principalmente, uma maneira de aumentar os ganhos no fim do mês.
Um dos personagens da reportagem é “Snow”, de 21 anos, nome utilizado para preservar sua identidade. Servidor federal no Sul do país, ele aproveita o período depois do expediente para produzir conteúdo adulto. Segundo o jovem, a renda obtida com a atividade varia conforme a frequência das publicações e da divulgação. Em meses de maior movimentação, ele consegue aproximadamente R$ 3 mil. Quando produz menos, o valor pode ficar próximo de R$ 1 mil.
Mesmo nos períodos mais lucrativos, o dinheiro obtido com a plataforma não supera seu salário no serviço público. A renda extra, segundo ele, é utilizada principalmente para financiar viagens e outros gastos que seriam mais difíceis de bancar apenas com o salário. Para quem mantém uma carreira formal, preservar a identidade tornou-se uma estratégia importante.
Os criadores entrevistados utilizam pseudônimos e procuram manter os perfis de conteúdo adulto separados de suas redes pessoais. A preocupação está principalmente nas possíveis consequências profissionais caso colegas ou superiores descubram a atividade. Outro personagem, Lucas, de 31 anos, trabalha como publicitário e também produz conteúdo adulto. Ele começou há cerca de três anos e afirma que, nos meses de maior faturamento, consegue aproximadamente R$ 5 mil.
Mesmo depois de receber uma promoção no emprego formal, Lucas decidiu continuar com a produção de conteúdo. Ele afirma, entretanto, que pode abandonar a atividade caso conquiste uma nova promoção que aumente significativamente seu salário. A cientista social Carolina Bonomi, ouvida pela reportagem, explica que o trabalho com conteúdo adulto ainda enfrenta forte estigma social e moral.
Para ela, a busca por uma renda complementar poderia ser comparada a outras atividades realizadas fora do expediente, como trabalhos por aplicativo ou serviços freelancers. A diferença está no preconceito que ainda envolve a produção de conteúdo sexual. Outro problema apontado é a dificuldade de garantir anonimato absoluto na internet. Mesmo utilizando pseudônimos, existe o risco de imagens serem compartilhadas sem autorização ou de a identidade do criador ser descoberta por pessoas próximas.
A reportagem apresenta ainda o caso de Lara, de 34 anos, redatora que começou a produzir conteúdo adulto em 2019. Depois de perder o emprego, em determinado período a atividade chegou a se tornar sua principal fonte de renda. Com o passar do tempo, entretanto, ela decidiu priorizar novamente a carreira profissional tradicional.
Atualmente, Lara trabalha na área de marketing e não publica novos conteúdos. O perfil continua ativo, mas gera menos de US$ 30 por mês, muito abaixo dos cerca de US$ 500 a US$ 600 mensais que ela chegou a receber anteriormente. Os relatos mostram que a produção de conteúdo adulto pode representar uma fonte significativa de renda para trabalhadores formais, mas também envolve desafios.
Além da necessidade de conciliar horários e manter a produtividade no emprego principal, os profissionais precisam lidar com o risco de exposição, possíveis julgamentos e eventuais impactos na carreira. No caso de servidores públicos, a estabilidade do cargo pode proporcionar maior segurança, mas não elimina as preocupações relacionadas à imagem profissional e à exposição.
A experiência dos personagens também revela que a atividade pode ser temporária. Para alguns, representa apenas uma forma de aumentar a renda enquanto buscam melhores oportunidades profissionais. Para outros, pode se tornar uma fonte importante de dinheiro, mas que deixa de fazer sentido diante de novas oportunidades na carreira tradicional.
Fonte: Folha de S.Paulo/Folhapress.
Portal Cidades em Evidência. Informação com credibilidade e alcance regional e nacional. Siga no Instagram @cidadesemevidencia e participe do nosso grupo de notícias no WhatsApp clicando aqui .
Postar um comentário