Cientistas monitoram o avanço do fenômeno e alertam para o risco de impactos comparáveis aos maiores eventos climáticos já registrados desde o século XIX.
O planeta está novamente em estado de atenção. O avanço do El Niño vem sendo acompanhado de perto pelos principais centros meteorológicos do mundo, e especialistas alertam que o fenômeno pode atingir intensidade suficiente para figurar entre os mais fortes da história moderna.
As projeções divulgadas pela Organização Meteorológica Mundial (OMM/WMO) e pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) indicam que o aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial continuará se intensificando ao longo de 2026, aumentando significativamente o risco de eventos climáticos extremos em diversos continentes.
Sempre que um El Niño de grande intensidade é previsto, um episódio histórico volta a ser lembrado pelos climatologistas: o El Niño de 1877–1878, considerado um dos mais severos já registrados.
Naquele período, o fenômeno provocou mudanças climáticas em escala global. Registros históricos apontam secas devastadoras em diversas partes do mundo, incluindo o Nordeste brasileiro, além de crises agrícolas, fome e impactos econômicos em vários continentes. Estudos científicos estimam que milhões de pessoas foram afetadas pelas consequências indiretas do evento climático.
Embora os instrumentos meteorológicos da época fossem limitados, pesquisas posteriores classificam o El Niño de 1877–1878 como um dos episódios mais intensos da história.
Os especialistas ressaltam que não há confirmação de que o atual El Niño repetirá a intensidade ou os impactos de 1877. No entanto, os modelos climáticos indicam elevada probabilidade de um evento forte ou muito forte, comparável aos grandes episódios de 1982–1983, 1997–1998 e 2015–2016.
Entre os impactos esperados estão:
- ondas de calor mais intensas;
- secas prolongadas;
- chuvas torrenciais e enchentes;
- aumento das queimadas;
- prejuízos à agricultura;
- redução da disponibilidade de água;
- impactos econômicos em diversos países.
Os cientistas também alertam que o atual cenário de aquecimento global pode potencializar alguns desses efeitos.
E o Brasil?
Historicamente, episódios intensos de El Niño provocam aumento das chuvas no Sul do Brasil e redução das precipitações em parte do Norte e do Nordeste.
No Piauí e em outros estados nordestinos, existe preocupação com temperaturas acima da média, redução das chuvas, aumento do risco de queimadas e impactos sobre a agricultura, a pecuária e os reservatórios de água.
As autoridades meteorológicas reforçam que os prognósticos continuam sendo atualizados e que a intensidade final do fenômeno dependerá da evolução das temperaturas do Oceano Pacífico nos próximos meses.
Fontes: Organização Meteorológica Mundial (OMM/WMO); NOAA – Climate Prediction Center (CPC); International Research Institute for Climate and Society (IRI/Columbia University); estudos históricos publicados na revista Nature e em pesquisas sobre o evento climático de 1877–1878.
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