TERESINA – O Corpo de Bombeiros Militar do Piauí (CBMEPI) registrou cerca de 900 ocorrências de fogo em vegetação em todo o estado apenas no mês de agosto de 2025, revelando um cenário alarmante de queimadas. Em Teresina, os números chamam ainda mais atenção: foram mais de 2 mil chamadas relacionadas a incêndios em um único mês, segundo dados oficiais do Comando de Operações dos Bombeiros (COB).
A intensificação dos incêndios coincide com a chegada do período mais quente do ano, o chamado B-R-O Bró (setembro a dezembro), marcado por altas temperaturas e baixa umidade relativa do ar. O fenômeno agrava os focos de incêndio e coloca autoridades em alerta.
De acordo com o levantamento, apenas em Teresina foram 614 ocorrências de fogo em vegetação em agosto, além de registros em outras cidades que também enfrentaram problemas expressivos: Picos (85), Piripiri (51), Floriano (50), Parnaíba (46), Esperantina (14), Oeiras (20) e São Raimundo Nonato (20).
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| Foto: Reprodução/ASCOM |
O total de 900 ocorrências foi registrado nos oito grupamentos do CBMEPI espalhados pelo Piauí. Os atendimentos incluíram desde incêndios em matas secas até focos em lixões, entulhos e terrenos baldios.
O comandante de Operações dos Bombeiros, coronel Egídio Leite, destacou que o trabalho das equipes tem sido incansável:
“As altas temperaturas, sem dúvidas, trazem um perigo a mais para esta grande quantidade de incêndio, mas sabemos que a ação humana é o fator que contribui em mais de 90% para as causas desses incêndios. Estaremos vigilantes, juntamente com a Semarh e a Defesa Civil, dando atenção especial aos brigadistas em mais de 90 municípios”, afirmou.
Na capital, os dados são ainda mais expressivos. Apenas em agosto, foram registradas 2.011 chamadas para diferentes tipos de incêndios, das quais 502 estavam relacionadas a fogo em vegetação.
O detalhamento mostra a gravidade do problema:
- 1ª semana: 229 ocorrências de fogo em vegetação
- 2ª semana: 284
- 3ª semana: 100
- 4ª semana: 1
Somente nos três primeiros dias de setembro, a central 193 já havia contabilizado 450 chamadas. Em 3 de setembro, por exemplo, o número atingiu 176 registros em apenas 24 horas.
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| Foto: Reprodução/ASCOM |
As queimadas de média e grande proporção atingiram cidades como Monsenhor Gil, Ribeiro Gonçalves, Nazária e a própria Teresina, provocando prejuízos ambientais, ameaçando comunidades rurais e colocando em risco a saúde da população devido à fumaça e às altas temperaturas.
A Relações Públicas do CBMEPI, capitã Najra Nunes, reforçou o caráter criminoso da prática:
“Embora nossas campanhas mostrem que a maioria desses incêndios seja de autoria humana, as pessoas insistem em não atentar para a gravidade dessa prática, que se configura como crime ambiental. Precisamos que a população nos ajude, se conscientize e não faça queimadas, nem na cidade, nem no interior”.
Além do combate direto às chamas, o CBMEPI, em parceria com a Defesa Civil, a Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh) e prefeituras municipais, vem intensificando ações educativas.
Entre as iniciativas estão palestras em escolas e comunidades, campanhas de comunicação e orientações sobre riscos e penalidades. Brigadistas voluntários também têm atuado em áreas de maior vulnerabilidade, ampliando a capacidade de resposta.
O que diz a lei
Queimadas irregulares são classificadas como crime ambiental. A Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/98) prevê multas e até prisão para responsáveis por provocar incêndios em florestas ou demais formas de vegetação sem autorização dos órgãos competentes.
Serviço – Como denunciar queimadas no Piauí
- Corpo de Bombeiros: 193
- Defesa Civil Estadual: 194
- Semarh: www.semarh.pi.gov.br
A população pode denunciar queimadas urbanas e rurais e acionar o atendimento emergencial. Denúncias anônimas também são aceitas.
Portal Cidades em Evidência – Informação com credibilidade e alcance regional e nacional.




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